Uma pequena vida aconteceu nos últimos meses, nas fronteiras entre fim e começo de ano e fiz algumas coisas legais: costurei, decorei e desdecorei a casa para as festas, acompanhei bancas de alunas e alunos, encontrei amigas, celebrei com vizinhos e colegas de trabalho e fiz duas pequenas viagens – para o litoral do Paraná e para o interior de Minas, mas eu não registrei quase nada. Meu celular estava muito ruim depois de ter caido na água, nem atender ligações eu estava conseguindo, quem dirá escrever coisas e fazer fotos e eu estava muito cansada ou muito descansada para pegar o computador para além do que eu era obrigada a fazer.

Em compensação eu mantive um diário, ou melhor, vários diários físicos no período: um para retomar a escrita das Páginas Matinais; um para registrar meus sonhos (esse eu recomendo demais para quem quer se conhecer mesmo); o diário do tarô que mantenho desde 2021 aonde registro as tiragens semanais que faço para mim, anoto estudos das cartas e também faço a prévia das análises de cartas que tiro para outras pessoas; e durante as 12 Noites Santas eu inaugurei o meu caderno do ano de 2026 no estilo commonplace book (ou livro de lugares-comuns) que uso para registrar as aprendizagens, as coisas importantes e desimportantes da vida, planos, desenhos, ideias…

Pode parecer que é caderno demais para administrar, mas eu, que fui usuária pesada do bujo, me sinto à vontade com isso. Tenho muita história de caderno pra contar e, curiosamente, de todas as coisas que escrevi a trabalho acho que meu texto mais lido é um ensaio sobre a história e usos dos cadernos, chamado Do primeiro Rabisco até o B-a- Ba, que escrevi para o livro da minha amiga Roberlayne Roballo em 2020.
Além destes cadernos pessoais, onde eu escrevo livremente, quando e se quero, tenho meus cadernos de trabalho: uma agenda pequena e os cadernos para organizar as atividades profissionais. Todo ano eu gasto, no melhor sentido de gastar, um bom tempo pensando em como vai ser minha organização para o ano letivo. E isso me lembra de recomendar este post delicioso da minha amiga Karina Kuschinir com as 15 dicas para professoras do ensino superior em sua volta às aulas.
Vou manter as coisas do trabalho nos cadernos de disco, me adaptei bem a eles, acho prático, então terei um caderno médio para as aulas, orientações e extensão, um caderno médio para anotações para bancas, notas de pesquisa, esboços de textos e projetos variáveis e um caderno A5 para fichamentos de leituras profissionais.

No fim de semana do carnaval fiz um café gostoso e fiquei por horas preparando meu caderno de aula. Vou tentar mantê-lo mais clean do que costumo fazer, para ganhar em tempo e clareza e estou gostando bastante de como está ficando. Escolhi usar apenas caneta preta, lapiseira e uma caneta de um amarelo ocre.

A capa dele é a mais simples possível, toda preta e desta vez coloquei discos dourados e elástico ocre, os adesivos são muito antigos mas gosto demais: serendipity é uma excelente palavra para se manter por perto junto à máquina de escrever.

Dividi em blocos. O primeiro é para a disciplina obrigatória que vou ministrar para duas turmas na graduação. Por dentro terão em comum o plano de trabalho e ementa, e nas partes específicas para as turmas o planejamento aula a aula, diário de classe, cronograma do semestre, diário reflexivo semanal.

O segundo é para a optativa Fontes para a História da Educação, que eu e a Sara estamos inventando. Neste bloco além das mesmas coisas que na disciplina obrigatória, deixei espaço para colocar uma agenda de contatos com arquivos, museus, cinemateca, e outros lugares que pretendemos levar a turma durante o semestre.
A terceira aba vai para organizar minhas atividades de Extensão e o trabalho no CDPHE. Vou registar as metas do semestre, contatos importantes, planejamento mensal, reuniões importantes, registro de ações e acompanhamento da nossa publicação A Traça.
A quarta parte vai para as orientações: uma folha de rosto por orientando, separado por nível (TCC,IC, Mestrado) e depois as páginas de registro dos encontros.

Por fim um bloco livre para o que mais chegar.
Dá um grande alívio ver as coisas assim arrumadinhas, agora vou terminar os cronogramas e planos de trabalho, as listas de chamada, imprimirei nas folhas com os furos certos e anexarei aos blocos. Em paralelo, já estou preparando os espaços virtuais, que serão poucos: apenas pastas no drive para os textos, separados por temas e os grupos de comunicados para cada turma. Quero manter simples.
Mas o que achei verdadeiramente interessante foram as páginas iniciais que inseri: além do índice, fiz um calendário a mão que vou completar com datas do calendário acadêmicos da UFPR (muito zen fazer isso), e criei duas seções: O mapa do Semestre: para manter à vista o que quero CULTIVAR, ENSINAR, ORIENTAR E PESQUISAR neste semestre. E uma seção que chamei pomposamente de Ad Ampliora** para escrever minhas intenções docentes e de pesquisadora.

Pronto, agora 2026, pode começar. Bom ano para a gente, pessoas!
- * O título é uma citação da música Mascarada , 🙂
- ** Latim macarrônico é uma coisa muito legal, vide o post Nolite Te Bastardes Carborundorum – por Megan Bowler
Que lindo! Amei os cadernos, a lindeza e organização 😍❤️❤️
Obrigada Laurinha!
Que chique!!! Trabalhando bastante no feriado!!!
Este tipo de trabalho com aquela nossa playlist é quase relaxamento:)
Que lindo e organizado 💕
Agora vai!!!
Que inspirador! Vou arrumar meu caderno pensando nas suas ideias criativas! ❤️
Que gostoso inspirar pessoas inspiradoras.
Lindo!