Domingo eu voltei pra casa lá pelas 17h.
Tinha tantas emoções decantando – dia das mães. A bateria social estava no finzinho depois de casa de mãe + casa de sogra (sem contar a minha casa, que de manhã tinha vivido uma volta ao tempo: no mesmo sofá eu, minhas duas filhas e meu filho, cada um fazendo suas coisas, ouvindo um vídeo sobe Los Hermanos).
Mas, sem-tempo-irmão, eu tinha que fazer um monte de coisas, já que dou aula no primeiro horário de segunda-feira, 7h30 da manhã… e isso significa que sempre tenho muitos detalhes da aula para preparar domingo, infelizmente.
Sentei no sofá só para descansar a cabeça uns minutinhos, com meu tricô e algum vídeo no Youtube – esse era o plano. Mas, quis o destino que em um canal que aparece quando ligo a TV, estivesse começando um filminho tão bom, tão nostálgico: Julie & Julia (2009), que pra mim é sobre como escrever um blog e ter uma obsessão criativa pode ser um portal para uma vida menos ordinária.

Aquele tipo de blog que a Julie mantem é o que eu conheci primeiro como blog no começo dos anos 2000.
Era cru, basicamente texto.
Meu primeiro computador pessoal eu comprei em 2001, foi mesmo uma odisséia no espaço , heheheh. Era um pc bege amarelado, que fazia parte do laboratório de informática da escola em que eu trabalhava. Eles renovaram as máquinas e venderam as velhas super baratinho para as professoras. Nele, esperando a hora mais barata, eu intercalava a escrita da minha dissertação de mestrado, com algumas leituras de blogs, que foram ampliando meus interesses e me ajudaram a organizar muita coisa na cabeça.

No filme a Julie inicia um blog por razões um pouco parecidas com as que me levaram a fazer o meu, em 2010: estava buscando sentido para além do fazer-fazer-fazer do dia a dia a ser sustentado.

Acompanhando os blogs descobri/ construí minha aptidão para as artes manuais, descobri uma linguagem sobre o cotidiano que me conectava a outras pessoas, desenvolvi um gosto, um modo peculiar de achar bonito o que acho bonito.
Vi o filme inteirinho e, em dado momento, meu marido passou na sala, sentou e viu um pedaço comigo, e sentimos ternura pelos casais que se amam e suportam as neuras uns dos outros.


Lembrei também que em meio a um mundo dando sinais claros de que “estamos meu bem por um triz” , alguma piração criativa, muito sua, pode ser muito saudável.
A Julie resolveu fazer todas as receitas do livro de culiniaria francesa da Julia Child em um ano. Nunca faria algo assim, canso só de pensar nas horas imensas em pé cozinhando e depois limpando, e na correria e gastos com ingredientes. Meu negócio é mesmo, quase sempre, textil. Então…
Me lancei o desafio de fazer uma blusa raglã, top-down, em tricô. Para quem não sabe, é uma blusa de tricô fechadinha, sem botão, e que você tricota de forma circular, começando pela gola.
Para quem sabe, pode estar pensando: mas isso é tão fácil! Para mim não é. Eu gosto de tricô, mas tenho que aprender.

O prazo que me coloquei é até antes da primavera deste ano – meio vago, mas poético.
Estou procurando um vídeo legal, que ensine bem, porque não sei ler receitas ainda, mas isso quero aprender também, faz parte do projeto.
Comprei uma lã boa, para me motivar, sabendo que não vai encher de bolinhas depois de duas usadas (afinal, serão meses tecendo).
Quando eu começar vou registrar o processo.
Na minha cabeça a blusa está linda. Será que vou conseguir?
Não tem como não sentir vontade, neste frío curitibano, de acompanhar o filme com tricô, um bolo da Julia, um café e uma boa conversa com Andrea. Qué lindo o post e a foto desse menino!
Vc é daquelas mulheres q inspiram!!🌹🌹🌹🌹